sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Antigo Hospital Santa Mônica implodido sem imprevistos

Aproximadamente doze segundos. Esse foi o tempo necessário para o prédio onde funcionava o Hospital Santa Mônica, na Avenida Marquês do Paraná, vir abaixo, às 8h05 da manhã de sexta-feira, cinco minutos depois do prazo inicialmente previsto. As explosões duraram 8 segundos, até começarem as quedas dos três blocos em sequência, que duraram mais 4,3 segundos.

Segundo a empresa Fábio Bruno Construções, responsável pela implosão, a operação foi um sucesso e tudo ocorreu dentro do esperado. No local, será construído o Centro de Diagnóstico por Imagem, projeto do Governo do Estado.

Para a implosão foram utilizados 150 quilos de dinamite. Os blocos caíram um pouco para a Rua Aridio Martins, em função da torre de alta tensão localizada do lado oposto. O engenheiro responsável pelo processo de implosão, Giordano Bruno, explicou que essa engenharia foi pensada para que não houvesse interrupção de energia na região.

Porém, por questão de segurança, durante a implosão a Ampla optou pelo corte de energia, religada ao final da primeira limpeza. As seis camadas de rede de proteção impediram que entulhos fossem arremessados, segundo Giordano. “A implosão foi um sucesso, não danificou nada, tudo foi como o esperado”, comemorou o engenheiro.

“A implosão foi muito bem-sucedida, sem prejuízo para a torre de alta tensão, que alimenta a cidade, e fica no mesmo terreno. Neste mesmo mês, em 2013, estaremos inaugurando o novo Centro de Diagnóstico”, acrescentou Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop).

Ao todo, cerca de 180 pessoas foram mobilizadas para a implosão. Vinte especialistas da empresa responsável pela demolição, três pessoas do Esquadrão Antibomba, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), oito policiais militares, 26 funcionários da Guarda Municipal, 20 agentes da Defesa Civil Municipal, um representante da Defesa Civil Estadual, 30 funcionários da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), nove agentes da NitTrans, 15 da Ampla, 10 da Águas de Niterói, 20 funcionários de uma empresa de telefonia e três de uma empresa de televisão por assinatura.

PM e Defesa Civil a postos- A operação contou ainda com o apoio de um helicóptero da Polícia Militar e outro da Defesa Civil. Além de cerca de 300 populares que acompanharam o processo de demolição a um raio de 150 metros de distância do local.

Foram seis meses de planejamento até que o prédio fosse implodido, de acordo com o presidente da Emop. “Graças a Deus e ao trabalho de todos os envolvidos deu tudo certo. Gostaria de agradecer aos engenheiros, porque foi feito um trabalho realmente de engenharia, a prefeitura e os secretários municipais que nos ajudaram muito e a população que colaborou também com o nosso trabalho. Agora vamos partir para a outra fase que é a construção do novo prédio”, disse Ícaro Moreno.

A implosão gerou 12 mil metros cúbicos de entulho, que serão quebrados manualmente durante cerca de 15 dias. Após esse período o entulho será triturado e reciclado para aproveitamento na construção do novo prédio, o Centro de Diagnóstico por Imagem de Niterói, que já está sendo chamado de Rio Imagem 2. Serão necessários mil caminhões para retirada dos entulhos, prevista para durar 120 dias. Ao fim desse período serão iniciadas as obras do novo prédio.

Poeira – Uma imensa fumaça de poeira se formou no céu da cidade, após a demolição do prédio. Os carros estacionados próximo a localidade ficaram cobertos de poeira e o asfalto da Avenida Marques de Paraná desapareceu. Cerca 30 de funcionários da Clin utilizaram vassouras e magueiras d’água para limpar toda poeira.

O que vem depois- O Centro de Diagnóstico por Imagem da Secretaria de Estado de Saúde, atenderá gratuitamente a população de Niterói e Região. A previsão é de que cinco mil pessoas sejam atendidas por dia. O projeto prevê a construção de um prédio de cinco pavimentos, com área total construída de 4.866,66 metros quadrados. O centro de Imagenologia contará com três salas de raios-x; duas salas de ressonância magnética; duas salas de tomografia; cinco salas de ultrassonografia; quatro salas de ecocardiografia e duas salas de mamografia.

Com a nova unidade hospitalar oferecerá exames realizados por equipamentos de última geração tais como tomografia computadorizada de artérias coronárias – que diagnostica a obstrução de artérias – e a ressonância de mama, indicada para detectar tumores em mamas de pacientes jovens ou submetidas à radioterapia ou com prótese de silicone.

O projeto para construção do Centro de Diagnóstico por Imagem de Niterói tem licitação marcada para o próximo dia 19 de dezembro, com orçamento de R$ 20 milhões 531 mil. O prazo de construção é de 10 meses após a publicação do memorando de início das obras.


Números da implosão:


- 12 segundos: tempo aproximado da queda

- 150 quilos: total de explosivos usados

- 180 pessoas mobilizadas para a implosão

- 300 populares que acompanharam a implosão

- 6 meses tempo que prédio esperou por implosão

- 12 mil metros cúbicos que restaram de destroços do prédio

- 15 dias tempo para quebrar destroços manualmente

- 1 mil caminhões necessários para remover destroços

- 120 dias tempo necessário para limpeza do terreno

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

TRE fecha prefeitura de São Gonçalo por uma hora para apurar denúncia

Servidores municipais estariam trabalhando na campanha do candidato a prefeito Adolfo Konder. Pasta com documentos do Departamento Pessoal foi apreendida
Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) fecharam nesta terça-feira a Prefeitura de São Gonçalo, durante uma hora, para apurar denúncia de que servidores municipais estariam trabalhando na campanha do candidato a prefeito da cidade, Adolfo Konder (PDT). A atual prefeita Aparecida Panisset (PDT) é aliada do candidato, que exerceu o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia em seu governo, antes de lançar o nome nas eleições municipais.

Durante toda a ação, que durou cerca de três horas, somente funcionários tinham autorização para entrar no edifício. Na operação, foi apreendida uma pasta com documentos do Departamento de Pessoal da prefeitura.

Os agentes do TRE, em parceria com a Polícia Federal, também estiveram no galpão de campanha de Konder, localizado no Mutondo. Lá, de acordo com agentes do TRE, foram encontradas cerca de 130 pessoas. Os fiscais apreenderam computadores e material de campanha.

O TRE informou que todo o material apreendido na ação será levado para a Zona Eleitoral competente, onde será avaliado.

A Prefeitura de São Gonçalo se manifestou, através de nota, informando que após o horário de expediente, os funcionários “são livres para fazerem o que bem entenderem”. Negou ter imposto que os momentos de folga fossem destinados a qualquer trabalho na campanha do candidato. “Se existe alguma denúncia séria, a prefeitura nunca se omitiu, nem se omitirá em identificar e punir os responsáveis por qualquer desvio de conduta”, informou a nota.

Já a campanha de Adolfo Konder emitiu nota oficial sobre a busca e apreensão da Polícia Federal em seu galpão de campanha:

“O candidato a prefeito Adolfo Konder, da coligação ‘Juntos pra Mudança não Parar’, sempre agiu em conformidade com a legislação eleitoral, respeitando as normas sobre emprego de mão de obra para fins de campanha.

Ele repudia a denúncia de que tenha requisitado ou pressionado funcionários da Prefeitura de São Gonçalo a trabalhar em sua campanha.

A apuração detalhada dos fatos é fundamental para que não pairem dúvidas sobre a lisura de sua conduta”, disse a nota.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Túnel Charitas-Cafubá mais perto de virar realidade

Responsável pela implantação da ligação já iniciou sondagens, estudo geológico e topográfico. Concessão de exploração terá um prazo de 35 anos e custo avaliado em cerca de R$ 171,5 milhões

O túnel que fará a ligação entre os bairros de Charitas e Cafubá e é apontado como uma das soluções para melhoria do trânsito da cidade está perto de virar realidade. A Prefeitura de Niterói oficializou, na última terça-feira, a escolha da empresa Via Oceânica S/A como a responsável para implantar e gerir a ligação rodoviária Charitas-Cafubá. A concessão para a exploração será pelo prazo de 35 anos a um custo de R$ 171,5 milhões. A primeira etapa da obra, que é a elaboração do Projeto Executivo, tem previsão de ser concluída até o início de 2013.

A empresa informou que já deu início ao processo, que envolve sondagens e estudos geológicos e topográficos da área. Após a aprovação do projeto, a Prefeitura, por meio da Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), deve emitir o alvará de construção, e só então a concessionária poderá dar início às obras.

A concessão compreende a construção de dois túneis rodoviários de 1,35 quilômetros de extensão cada um, ligando a Região Oceânica, pelo Cafubá, às praias da Baía de Guanabara, em Charitas. A empresa informou que antes do Projeto Executivo ficar pronto não é possível precisar o percurso, nem onde vão começar e terminar os túneis. Entretanto, o projeto inicial definia que os túneis ligariam a Avenida Prefeito Sílvio Picanço à Avenida Cruz Nunes. A previsão é que a obra custe R$ 98 milhões.

A tarifa de pedágio é R$ 4,50 para cada sentido, conforme estipulado no edital de licitação. O valor, segundo a empresa responsável pela gestão do túnel, é menor que o do custo dos dois litros de gasolina, gastos para percorrer o trajeto de 22 quilômetros que liga os dois bairros.

Os moradores da Região Oceânica, que há anos esperam por uma ligação mais rápida com os bairros da Zona Sul, comemoraram a notícia.

“Vai facilitar muito a nossa vida. Há anos escutamos promessas do túnel, espero que dessa vez seja construído”, disse o analista de sistemas Rodrigo Alves, de 36 anos.

A implantação do túnel é estudada já há alguns anos como alternativa para melhorar o trânsito na Região Oceânica e seus acessos. Em 2002, o projeto foi incorporado ao Plano Urbanístico da cidade. Em 2009, foi integrado ao Plano Municipal de Transporte e Trânsito, do arquiteto Jaime Lerner, que prevê cinco terminais rodoviários, incluindo o de Piratininga e o de Charitas, ligados pelo túnel.

sábado, 14 de abril de 2012

Moradores protestam contra a poluição das praias na RO

Munidos de cartazes, bandeiras e trajando roupas brancas, manifestantes deram abraço simbólico na Praia de Itacoatiara, em Niterói. Objetivo é alertar a população sobre lixo despejado

Texto: Priscilla Aguiar
Foto: Thiago Louza


Centenas de pessoas tomaram as areias da praia de Itacoatiara na manhã deste sábado, em protesto contra a poluição das praias da Região Oceânica de Niterói. Com cartazes, bandeiras e roupas brancas, os manifestantes “abraçaram” a praia em ato simbólico a favor do meio ambiente. Dezenas de pessoas que estavam aproveitando o dia de sol forte se juntaram ao movimento e deram as mãos numa corrente que se estendeu por toda a praia.

A manifestação foi organizada pelo movimento Preserve Assim. De acordo com o fundador do movimento Eduardo Barcellos, o objetivo do protesto é mobilizar a população e evitar que dejetos da Baia de Guanabara continuem sendo despejados nas praias da Região Oceânica de Niterói.

“Não sou contra a despoluição da Baia de Guanabara, mas sim da forma como ela está sendo feita. Não podem trazer o lixo de lá do jeito que estão fazendo e poluir as nossas praias”, disse.

O professor de Surfe Roberto Mattoso, que dá aula em Itacoatiara chamou atenção para a poluição recente do mar.

“Eu e meu alunos temos notado a água diferente, com uma espuma marrom e mal - cheirosa. A prática de esportes que deveria ser um lazer não está sendo mais. Temos que chamar a atenção da população para evitar que nossas praias continuem sendo poluídas”, disse.

Ao final do protesto foram distribuídas sacolas para que a população não sujasse as areias da praia. Além da manifestação o movimento Preserve Assim estará nas instituições de ensino de Niterói informando sobre a poluição que tem acontecido nas praias da cidade e passando conhecimentos sobre cuidados com o meio ambiente.

População realiza manifestação contra a violência em Niterói



Protesto aconteceu na manhã deste sábado, na Praia de Icaraí, em Niterói. Moradores exigem aumento no efetivo policial e patrulhamento ostensivo de PMs na ruas





 Texto: Priscilla Aguiar
Foto: Thiago Louza
Devido ao aumento assustador da criminalidade em Niterói, moradores foram às ruas protestar contra a violência e reivindicar mais segurança na cidade. Na manhã deste sábado, na praia de Icaraí, foi realizado o protesto que teve como tema “Niterói não será refém do Medo”, organizado pela ONG Rio de Paz. 
Para chamar a atenção da população e das autoridades públicas, integrantes da ONG  e moradores entraram numa prisão de arame farpado de 50 metros quadrados, que foi montada no início da manhã nas areias da praia. Os voluntários permaneceram durante 1 hora dentro da cela. Às 11h a cerca de arame farpado foi cortada por um morador da cidade, simbolizando o fim da violência.
De acordo com o presidente da ONG, Pr. Antônio Carlos Costa o objetivo principal da manifestação é mobilizar a população e reivindicar medidas urgentes do poder público.
“A população precisa reagir, em vez de se tornar refém do medo. Percebemos hoje um clima de tensão que não existia. As pessoas estão aflitas dentro da própria casa, por causa dos recentes casos de assalto à residência nos mais diferentes pontos da cidade. Queremos chamar a atenção das autoridades públicas para o estado psicológico dos moradores  e reivindicar medidas urgentes”, disse.
Entre as principais medidas reivindicadas pelo movimento estão: aumento do efetivo da Polícia Militar, policiamento ostensivo a pé nas ruas, investigação da autoria dos recentes crimes e plano de segurança pública para áreas ainda não pacificadas.
No domingo, mais uma manifestação pelo fim da violência será realizada, a partir das 10h, na praia de São Francisco.  O ponto de encontro será em frente ao Shopping Lido. Dali, os manifestantes seguirão em passeata até a Praia de Icaraí, munidos de faixas, cartazes e vestindo blusas brancas, simbolizando a paz. No próximo sábado, o movimento Niterói Quer Paz fará outro manifesto contra a violência da cidade. O movimento convoca a população a se vestir de branco no protesto, marcado para as 14h.

domingo, 1 de abril de 2012

Eleições 2012: começa corrida para tirar e regularizar o título de eleitor


Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recomenda os eleitores a não deixarem para atualizar o documento nos últimos dias. Inscrição eleitoral em todo o país já termina no dia 9 de maio

Victor Faiad, de 18 anos, tirou título esta semana para votar pela primeira vez. Foto: Marcello Almo




Texto: Priscilla Aguiar
Foto: Marcello Almo
Os eleitores dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros que vão às urnas em outubro escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores têm pouco mais de um mês para regularizar situação perante à Justiça Eleitoral. O prazo para requerer a inscrição eleitoral, solicitar a transferência de domicílio ou regularizar a situação do título de eleitor termina no dia 9 de maio.
Nos cartórios eleitorais de Niterói a procura aumentou nos últimos dias, mas a tendência é crescer ainda mais. Por isso, a recomendação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para os que querem evitar filas e transtornos é não deixar para os últimos dias, quando o movimento costuma ser grande nas zonas eleitorais.
Quem tem mais de 18 anos e não estiver em dia com a Justiça Eleitoral até essa data não poderá votar. Quem não regularizar o título também não conseguirá obter passaporte, prestar concurso público ou se matricular em instituições públicas de ensino até resolver a pendência.
O prazo é determinado pela Lei 9.504/97, que em ano eleitoral prevê o fechamento do cadastro eleitoral com 151 dias de antecedência do pleito. Os eleitores que vão votar pela primeira vez também devem solicitar o documento. Os eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida devem pedir transferência para uma seção eleitoral especialmente adaptada.
Até os 18 anos o voto é facultativo. Porém, quem tem 15 anos, mas fará 16 até o dia da eleição também poderá, se quiser, pedir o documento para votar pela primeira vez.
Tanto para o alistamento eleitoral como para a regularização ou solicitação de atendimento especial, basta comparecer ao cartório eleitoral com a carteira de identidade ou certidão de nascimento ou casamento e comprovante de residência.
Se o eleitor for do sexo masculino, e tiver mais de 18 anos deverá também apresentar o comprovante de quitação com o serviço militar. Para realizar a transferência de endereço, é preciso levar a carteira de identidade e o CPF e comprovante do novo endereço do eleitor.
A engenheira agrônoma Lúcia Baptista, de 59 anos, esteve esta semana numa das zonas eleitorais de Niterói para transferir o domicílio e vai votar pela primeira vez na cidade.
Ela é de São Paulo e está em Niterói há 10 anos, mas durante este tempo, quando não podia viajar para votar justificava o voto. “Não me interessava muito pela política da cidade, mas este ano decidi votar. Deixei para fazer a transferência um pouco em cima da hora, mas deu tudo certo”, comemorou a eleitora.
O estudante Victor Faiad, de 18, tirou seu título esta semana. Ansioso para votar pela primeira vez, revela que não sabe ainda para quem irá o seu voto. “Ainda não sei nem quais são os candidatos, mas vou acompanhar o horário político e procurar saber o programa de cada um para votar consciente”, disse o estudante.
Recomendação - O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro pede para que o eleitor compareça o quanto antes, para evitar filas, à zona eleitoral responsável por seu domicílio ou à Unidade de Atendimento ao Eleitor, localizada na sede do TRE, no Centro do Rio.
Em Niterói os procedimentos podem ser feitos na Rua Visconde de Sepetiba, 987, Centro, de segunda a sexta-feira, das 11 às 19 horas. Na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet (www.tse.jus.br) está disponível uma opção para que os eleitores consultem a situação de seu documento.
Se um eleitor deixou de votar no primeiro e no segundo turno de uma mesma eleição, já serão contadas duas eleições para efeito de cancelamento.
Além disso, poderão ser contadas faltas às eleições municipais, eleições suplementares e referendos. Não serão computadas as eleições que tiverem sido anuladas por determinação da Justiça. As eleições deste ano estão marcadas para o dia 7 de outubro.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Centenas de pessoas protestaram contra o aumento de mais de 60% na tarifa das Barcas S/A

Texto: Priscilla Aguiar


Cerca de 300 pessoas participaram ontem pela manhã, da manifestação contra o aumento da tarifa das Barcas S/A, na frente da estação Araribóia, no Centro de Niterói. O reajuste de R$ 2,80 para R$ 4,50, que corresponde a mais de 60 % de aumento, estava marcado para acontecer ontem, mas foi adiado, na última quarta-feira, para amanhã. Segundo a Secretaria Estadual de Transportes, a mudança na data aconteceu para que fosse estendido o período para que usuários pudessem fazer o Bilhete Único intermunicipal.

Alguns manifestantes consideraram o adiamento do reajuste a primeira vitória do protesto, já outros encararam a decisão como uma tentativa de boicote a manifestação.

"Tentaram boicotar o movimento, mas eles não vão nos calar.  Esse aumento é abusivo e essa é a única forma que temos de reivindicar nossos direitos", disse a paisagista Wlaner Travassos, de 34 anos.

Já para o professor Anderson Melo, de 35 anos, o adiamento é positivo. Segundo ele, é o resultado da força da união da povo.

"Esse é o primeiro resultado que tivemos com o nosso movimento. Estaremos aqui em frente às barcas todos os dias até conseguirmos impedir esse absurdo. O valor de R$ 2,80 já é muito caro pelo serviço prestado, R$ 4,50 é um roubo. Não podemos permitir que isso aconteça", disse.

O vereador Leonardo Giordano também considerou o adiamento do reajuste positivo.

"Quem consegue adiamento do reajuste, consegue impedi-lo", disse. Giordano foi uma das pessoas intimadas a depor na 76° DP (Centro), depois que circulou na internet um vídeo sobre um possível vandalismo durante o protesto. No entanto, o vereador esclareceu que não participou do vídeo em questão, mas que usaram a voz dele de um outro vídeo durante a edição.

O professor de história Henrique Campos Monnerat também foi intimado a depor em função do vídeo e no início do movimento recebeu uma liminar de um oficial da justiça, que o obriga a pagar R$ 5 milhões em caso de dano ao patrimônio das Barcas S.A. O Psol também recebeu a liminar.

"Isso é um absurdo, eles estão tentando nos intimidar, mas não vão conseguir. Esse é um movimento pacífico, que tem a intenção apenas de lutar por direitos. Eu sou professor estadual e ganho R$ 750 por mês e uso as barcas todo dia. Esse aumento vai pesar no meu bolso e no de todos, por isso não podemos ficar calados. Somos passageiros e não clientes", frisou Henrique.

O ex-diretor da Conerj e atual diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores e Transportes Aquaviários, Davi Vilar, que participou do protesto das barcas em 1959, onde manifestantes incendiaram as barcas e outros pontos da cidade, falou sobre os problemas das Barcas S/A e a diferença entre as duas manifestações.

“As Barcas S/A presta um serviço muito ruim. Eles não têm uma visão de administração de transporte aquaviário. A população tem mesmo que se manifestar. Esse Bilhete Único é para camuflar o aumento, já que de qualquer forma o dinheiro é do povo mesmo. A diferença entre as manifestações é que além dessa ter sido pacífica, a de 59 foi espontânea. Os trabalhadores da empresa entraram em greve, na época por causa de salários atrasados e no mesmo dia houve um aumento no preço da passagem, o que provocou muita indignação na população”, disse.

Durante todo o protesto, os líderes da manifestação tentaram conter os manifestantes mais exaltados. Uma pessoa pulou a roleta, mas logo foi retirada pelos seguranças.

De acordo com o comandante do 12º BPM, coronel Wolney Dias, para garantir a ordem pública, 60 homens do 12° BPM e do Batalhão de Choque estavam posicionados em frente à estação desde às 22h de quarta-feira.

A manifestação já vinha sendo anunciada e divulgada através das redes sociais da internet. O vídeo que foi divulgado por manifestantes está sendo investigado na 76ª DP, pois pode estar incitando o crime. No vídeo, um manifestante diz “temos que ir para a rua mesmo e ‘tacar’ fogo”. Logo em seguida, o vídeo mostra uma imagem da estação das barcas em Niterói, em 1959, incendiada pela população devido ao aumento da passagem. Na época uma pessoa morreu e mais de 100 ficaram feridos.